Tá no Gibi, uma hq da Capa Comics (hq nacional) – resenha

Salve, salve, seres humanos da terra.
Na semana passada eu tive a honra de ser convidado para participar de uma entrevista sobre cultura geek e quadrinhos no programa Conexão da tv cultura. Lá, eu tive o prazer de conhecer o João Carpalhau, quadrinista e um dos criadores do coletivo de quadrinhos da baixada fluminense, a Capa Comics. Ele me presenteou com a revista Tá no Gibi, uma publicação colaborativa com histórias de vários alunos e é dela que eu vou falar agora.

Tá No Gibi, produção da Capa Comics (hq nacional) – resenha

 

Tá no Gibi hq nacional capa comics




 

Tá No Gibi é composto de várias histórias curtas (de uma ou duas páginas) feito pelos alunos de uma das oficinas que a Capa Comics oferece gratuitamente. A primeira e última página é um editorial com roteiro do João Carpalhau e arte do Alex Genaro, e no miolo as histórias são dos alunos.

Como as histórias são curtas, qualquer coisa que eu falar pode incomodar a galera anti-spoiler, então vou fazer alguns comentários de uma forma mais geral.

A primeira coisa a se comentar é a amálgama de estilos nessa revista. Como cada história tem uma equipe diferente, os estilos variam muito, tanto no traço, quanto no estilo de roteiro em si. No geral todas as histórias são muito boas, mesmo sendo perceptível que algumas das equipes estão um pouco atrás.

Tenho que destacar as duas histórias do Álvaro Victório que são ambas incríveis mesmo sendo bem diferentes.
A história da Maria Emília Martins, que tem uma das melhores artes da revista e um roteiro singelo que te toca na simplicidade.
A história do Fabrício Teixeira, com arte do Willian Maciel, que conta sobre o primeiro homem em Marte e a repercussão disso é bem interessante também.
La Catrina, da Natalia de Souza Flores, é uma história daquelas que parece simples, mas tem algumas camadas a mais. E é a história de super herói da revista.
Epitáfio é uma história que eu gosto muito por tratar sobre a vida de um matemático chamado Galois. Quem conhece sabe que é uma boa história. Roteiro de Danilo Farias e Mariana do Nascimento e Arte de Cristiano Ludgerio.

As outras histórias são mais simples, mas são, ainda assim, muito divertidas. “Recompensas de Murphy” e “Mais Um” tem uma pegada de tragédia, mas com climas completamente diferentes. Enquanto “A Surpresa” e “Roteiro” tem uma canalhice bacana, especialmente a Roteiro que trabalha com uma metalinguagem incrível.

A história Detetive Graham não me pegou. Ela parece ser parte de algo maior que não me tocou. Mas faz parte do processo.

 

 

Em resumo. Tá no Gibi é uma revista de vinte e poucas páginas com 11 histórias muito boas. Histórias feitas por alunos de um projeto gratuito que ocorre em na periferia. Você entende o poder simbólico disso? É uma parada incrível. A multiplicidade das narrativas pessoais dessas pessoas está impresso nessas histórias. Da para perceber. Da pra sentir.

Não posso deixar de dizer que essa personagem da capa, que tem uma capa feita de comics, é uma das sacadas mais marotas que eu vi recentemente. Maravilhoso.

Se interessou? Quer adquirir a revista? Vai ter que esperar um pouco.

Acontece que Tá no Gibi vai ser lançada oficialmente na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontece do dia 31/08 a 10/09. Se puder aparecer por lá e dar uma moral para o trabalho dos caras, eu recomendo. (A Karen Soarele, daqui do portal, também vai estar na Bienal no dia 09/09 lançando seu novo livro. Saiba mais aqui)

Então é isso. HQ brasileira de excelente qualidade. Recomendo.
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Conheça o site da Capa Comics.
Um abraço.
E tchal.

post publicado originalmente por mim no portal Cultura Nerd e Geek


Vulto

Desprezível.

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