Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de resenha e eu quero falar do filmaço brasileiro O Agente Secreto. Filme que está concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Filme no Oscar desse ano. Se tudo der certo, essa resenha vai sair no dia do Oscar. Então não sei se vai ganhar. Mas estou torcendo muito. Deixa eu falar desse filmão.
O Agente Secreto:

O Agente Secreto é um filme de 2025. A história se passa em 1977, no meio da ditadura militar e conta a história de Marcelo, um cara com um passado misterioso que está voltando para Recife, sua cidade natal. Ele visita o filho e vai morar em uma pensão onde tem várias pessoas ali meio escondidas, meio que refugiadas e tudo o mais. Ele chega com uma indicação de um emprego em um órgão público, que é um órgão de identificação e ele vai usar isso para encontrar informações de sua mãe. O delegado do lugar fica achando que ele tem cara e porte de policial e começa a puxar uma amizade estranha com ele, mas ele não gosta muito de ficar perto da polícia. Então o filme tem esse clima de mistério.
O que eu vou falar aqui é mais ou menos o começo da metade do filme, mas tem gente que já acha spoiler. Se for seu caso, pare por aqui e vá assistir ao filme porque é bom.
Semispoiler:
Depois descobrimos que na verdade ele é um professor universitário que peitou um empresário e começou a ser perseguido, revelando um esquema de corrupção dos muitos que houveram na ditadura. Nem todos os esquemas corruptos da ditadura eram dos milicos em si, muito empresários que aderiram ao regime e tinham seus amigos militares ou simplesmente como comprar amigos militares também se beneficiaram muito do período.
Então ele é um professor, que está com uma identidade falsa, sendo ajudado por um grupo/orgão ativista que vai tentar fugir com ele do país. Porém, enquanto isso, capangas do empresário que odeia ele estão atrás dele. Existe um mistério de quem foi a mãe dele e de como a esposa morreu. E poucos desses mistérios serão resolvidos de fato. Isso porque lá pela metade do filme, entendemos que a história está sendo lembrada/contada do ponto de vista de duas estudantes no presente, que estão recuperando as conversas para um projeto de pesquisa.
E o final do filme é o trabalho de reconstrução dessa memória. Um final misterioso sobre uma história que se perdeu no tempo.
O que eu achei de O Agente Secreto?
Esse filme é fantástico! Ele fala da Ditadura, fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília. É claro que é super importante lembrar da luta armada, dos deputados desaparecidos e de como o regime não teve vergonha nenhuma de cometer as grande atrocidades. Mas é importante lembrar que a ditadura e sua ideologia jogou poder nas mãos dos militares e das polícias corruptas por todo o território nacional. Cada cidade e cada recanto ganhou um coronelzinho para chamar de seu. Em todos os cantos do país, os piores dos piores tomaram para si o direito de decidir quem vive, quem morre e quem vai pagar para viver.
Como disse Pedro Aleixo ao votar contra o AI5: “Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina”.
O filme conta com muitos guardas da esquina. O delegado, os policiais do começo do filme e até mesmo o empresário, que não é um guarda da esquina, mas tem alguns na sua folha de pagamento, inclusive um matador que é ex-policial (ou ex-militar, não lembro agora).
SPOILERS:
Além disso, o filme tem duas grandes questões entrelaçadas: a perda da família e a destruição da memória. Em tempos de violência, todo mundo perde. E muitos dos personagens perdem membros da família durante o filme. O Wagner Moura perde a esposa. O filho dele perde o pai. O matador perde o filho. O delegado perde um dos filhos. No núcleo do conflito, o único que não perde o filho ( e tem o filho no filme, fazendo nada, só para deixar isso claro) é o rico que manda em todo mundo. É fodido matando fodido, enquanto os poderosos seguem os mesmos.
E a questão da perda da memória, que é central quando se fala de ditadura, aparece aqui com tudo. O filho do Wagner Moura perde o pai achando que foi abandonado e que o pai foi um corrupto, esquerdista, qualquer coisa. Ele só vai descobrir a história do pai porque a menina pesquisadora se interessou pelo tema. Além disso tem a própria morte da esposa do Wagner Moura, que provavelmente é a dona da perna. Mas quem eram as pessoas mortas no camburão? E o cara morto no posto de gasolina? Nunca saberemos.
O tema se torna recorrente até pensando no passado. O personagem do Wagner Moura morre procurando os registros da mãe, que era uma mulher indígena que engravidou e “casou” aos 14 anos. Provavelmente essa mulher nunca teve registro nenhum. A história é perdida por displicência, quando não é apagada de propósito. Quantas famílias nunca puderam enterrar os seus e finalizar suas histórias? Ainda existem muitos desaparecidos nos tempos da ditadura. Rememorar é preciso.
Perdas e perdas:
E esses dois temas se convergem no filho do Wagner Moura, que perdeu as memórias do pai. Nunca soube da história do cara e até pensava mal desse pai. Também não sabia quase nada da mãe, porque desapareceu também. Então ele é um cara criado como sem família, porque não teve direito a memória dessa família.
Pode não levar o Melhor Filme. Mas se não levar o Melhor Filme Estrangeiro é marmelada.
Então é isso. Filmaço. Adorei.
Mas e você, o que acha?
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Um abraço.
E tchau.
