As Aventuras de Xisto (Coleção Vagalume) – resenha

Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de falar de literatura e eu quero fazer um breve comentário sobre um grande achado. Na verdade foi um presente de um grande amigo. Então vamos nessa com As Aventuras de Xisto.

As Aventuras de Xisto

As Aventuras de Xisto é um livro nacional de 1999 daquela série famosa de livros a “Coleção Vagalume”. O livro foi escrito pela Lúcia Machado de Almeida, que escreveu vários dos livros da coleção. O livro é curtinho, tem 120 e poucas páginas e é um livro infanto juvenil, com uma história bobinha, mas também sagaz. Não chega a ser infantil, mas também não é um livro adulto.

As Aventuras de Xisto:

Xisto é um garoto esperto e tem um amigo (serviçal, escudeiro) chamado Bruzo, que é mais burrinho, mas é muito forte. Esperto é um eufemismo, o moleque é um gênio, como logo veremos. A Aventura começa mesmo quando os dois garotos vêm um estranho homem de preto entrando em uma caverna e fazendo uma magia para esconder um livro atrás da parede. Eles repetem o que viram e roubam o livro, descobrindo se tratar do Manual Secreto dos Bruxos, um livro que conta todos os caôs dos bruxos, quem está vivo e até mesmo os pontos fracos de cada um (com algum enigmazinho para não ser tão fácil).

Agora, com o livro na mão, Xisto decide que vai librar o mundo do mal e derrotar cada um dos bruxos desse mundo (só tem 4 mesmo). E sai pelo mundo para se tornar cavaleiro andante. No começo, ele precisa enfrentar coisas mais mundanas, como impedir o ataque de um rei maligno chamado Barba-Coque. Então descobrimos que Xisto é um puta gênio, porque ele constrói um super ímã e usa isso para derrotar o exército inimigo. Depois disso ele também faz vários produtos químicos, gás do riso, névoas tóxicas, tudo isso em potinhos que ele vai usar para enfrentar os bruxos.

E aí ele começa a enfrentar os bruxos. O primeiro é Jacomino, um homem-planta que assombra a floresta negra. A luta contra ele é relativamente fácil. Porém, depois desse encontro os outros bruxos ficam espertos. E quando Xisto e Bruzo finalmente eles, eles já estão juntos e os nossos heróis vão passar por maus bocados antes de pegar os vilões.

O que eu achei de As Aventuras de Xisto?

O livro é muito divertido! Claro que é um livro para crianças, mas crianças que já conseguem encarar um texto um pouco mais longo. E o bom é o que o livro não duvida da inteligência da criança. Tem explicações sobre magnetismo e outras coisas científicas no meio de uma história de magia e bruxos.

O ritmo é bem legal, os personagens têm personalidades diferentes, as aventuras são realmente perigosas e os protagonistas passam por maus bocados, mesmo que o livro tenha menos de 150 páginas. Então é uma leitura muito, muito agradável.

Acho que de defeito, tem alguns pontos que não são tão bons. Mas só um é ruim mesmo.

Falta um pouco de clímax quando os protagonistas vão finalizar os bruxos. Eles encontram com os vilões antes e passam perrengue, mas quando chega no final, os planos dão certo de cara e os bruxos são derrotados de jeitos muito simples. Fica um pouco “e daí morreu”. Acho que os planos finais poderiam falhar um pouco, para rolar um pouco de correria.

Mas o maior problema desse livro é mesmo a Fredegonda, e as personagens femininas no geral. São 4 bruxos, 3 homens e uma mulher, a Fredengonda. Cada um dos 3 homens, faz uma maldade, tem uma magia que pode fazer mal aos outros e um jeito de ser derrotado. E os bruxos precisam comer um mingal específico lá para manter os poderes.

Pobre Fredegonda:

O poder da Fredegonda é controlar morcegos e ela usa isso só para fazer o mingal para ela e para os outros bruxos. Ela não faz mais nada na história. E o ponto fraco dela é “se os outros bruxos morrerem ela morre também”, algo assim. Fora que ela aparece como uma velhinha, sendo que os outros bruxos têm cara de jovem porque Minoco tem o poder de rejuvenescer. Ou seja, o papel dela é de ajudante, ou até mãe. Ela faz comida para os outros bruxos e o Xisto sequer precisa derrotá-la. Ela é totalmente esquecida na história.

Isso reflete em todas as personagens femininas da história. Todas as mulheres do livro são cuidadoras, incluindo a mãe do Xisto que tem poderes de mãe. De resto tem uma rainha cega incompetente. E uma ou outra que o Xisto se interessa, mas sequer têm nomes.

Essa representação das mulheres é muito ruim e eu preciso comentar. E mais complicado é que o livro é escrito por mulher. É um livro dos anos 90 ainda. Mas tem que lembrar que esse tipo de obra formou vários jovens que hoje são adultos. Você pode achar que não, mas isso fortalece uma ideia subjetiva de que mulheres são menos relevantes mesmo. É um tanto triste.

Concluindo:

As Aventuras de Xisto é um livro divertido que eu recomendo, mas é necessário fazer essa ressalva de época.

E preciso agradecer ao amigo que me deu o livro e minha amada que leu comigo.

Então é isso. Livro bacanudo. Gostei.
Mas e você, o que acha?
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Um abraço.
E tchau.

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