No Sufoco, por Chuck Palahniuk – Resenha.

Salve, salve, seres humanos sexólatras da terra.

Há pouco tempo atrás eu tomei vergonha na cara e voltei a ler literatura com alguma frequência. Como agora eu tenho esse site, esses livros vão virando resenhas aqui no site por que eu quero dividir a experiência com vocês. Hoje o post é mais um desses.

No Sufoco – Resenha

No Sufoco

 

No Sufoco é um livro de Chuck Palahniuk, autor de Clube da Luta, Tripas e outros vários livros. Mas sobre o que é o livro?

Veja a sinopse e depois eu comento um pouco mais.

Victor Mancini concebeu este golpe lucrativo, arriscado e tocante: em restaurantes, finge que se engasga e deixa sua vida ser “salva” por quem se prontificar. O laço criado entre ele e o salvador é tão forte que a pessoa se sente responsável pela vida de Victor, até financeiramente, pelo resto da vida. Após fazer isso centenas de vezes, os cheques chegam pelo correio em fluxo constante. Victor também trabalha em um museu com um bando de pessoas medíocres, ronda grupos de sexólatras para curtir as viciadas e visita a mãe convalescente, cujo Alzheimer esconde um segredo fantástico sobre sua concepção.

Esse livro conta a história de um sexólatra que, em vez de se tratar, usa os grupos para arrumar parceiras. Esse livro conta a história de um cara que quase terminou a faculdade de Medicina, mas trabalha em um museu a céu aberto que simula o século 18. Esse livro conta a história que aplica golpes para ganhar uma grana e manter a mãe louca com Alzheimer no hospital. Esse livro conta a história de um garotinho que tem uma mãe maluca que o rapta de suas mães adotivas. Esse livro, assim como Clube da Luta, é sobre gente quebrada, sobre gente que enxerga o mundo de um jeito único, cheio de desprezo e de percepções sagazes.

Esse livro mostra alguém com a percepção aguçada e a narrativa ácida de um Tyler Durden, só que viciado em sexo e obrigado a frequentar um asilo e a trabalhar em um lugar escroto. Tudo isso com o trabalho de pesquisa insano que só o Chuck sabe fazer. Esse livro é muito louco.

… Aqueles que te passam a mão no metrô. Os que abrem o sobretudo.
Os que armam câmeras na borda interna dos vasos sanitários do banheiro feminino.
O cara que passa sêmen nas abas dos envelopes de depósito no caixa automático.
Os voyeurs. As ninfos. Os velhos babões. Os porta de banheiro. Os fisteiros.
Os bichos-papões, homens e mulheres, de quem sua mãe falava. Todas aqueles contos da carochinha pra dar medo.
Estamos aqui. Estamos vivos. E não estamos bem.

Esse é o mundo dos 12 passos do vício em sexo. Do comportamento sexual compulsivo. Toda noite, durante a semana, eles se encontram nos fundos de alguma igreja por aí. No salão de algum centro comunitário. Toda noite, em qualquer cidade. Tem até reunião pela internet.


O que eu achei?
O Chuck Palahniuk é foda. Clube da Luta, Tripas e até Clube da Luta 2 são obras geniais e isso fica ainda mais claro nesse livro. É um puta livro.

Acho que a primeira coisa positiva, que eu não posso deixar de comentar é: Capítulos curtos. Tem capítulos de 2 páginas e o maior deles deve ter, sei lá, no máximo 12. Uma delícia pra quem tem pouco tempo e não quer ficar parando no meio de um capítulo. Outra coisa que eu gosto muito dele é a narrativa nem um pouco linear. Ao mesmo tempo que ele conta a história dele adulto, tentando entender o próprio passado e tentando manter a mãe viva, somos apresentados a ele criança com as pirações da mãe. Isso é muito legal.

Depois que você descobre tudo o que pode dar errado, sua vida passa a ser menos viver e mais esperar. Pelo câncer. Pela Demência. A cada olhada no espelho, você fica vasculhando se não tem erupções vermelhas que querem dizer herpes.
Vide: Micose
Vide: Sarna.
Vide: Doença de Lyme, meningite, febre reumática, sífilis

Os personagens são excelentes. O Victor Mancini é super complexo, variando entre o perfeito filho da puta e uma espécie de messias nova era malucão. O Danny, melhor amigo do Victor é um malucão piradasso que é quase zem em suas maluquices. A mãe do Victor é muito interessante em sua rebeldia louca e sem sentido na juventude e em sua senilidade amalucada na velhice. E a dr. Page Marshal é, sem dúvida, a melhor personagem. Mas aí você vai ter que ler para entender.

Os personagens secundários são apresentados rapidamente, mas de forma muito eficiente, e isso é uma caraterística do Chuck, que consegue pegar o protagonista, que conhece o tal personagem, e é muito observador, e usá-lo para narrar as características do secundário de um jeito ácido e muito realista (realista no sentido do movimento literário Realismo que trás o pior da humanidade em seus personagens). Desde de os funcionários drogados do Dunsdoro Colonial, as crianças malditas, os sexólatras das reuniões, até as velhas acabadas do asilo. Tudo é escroto. Tudo é bizarro. Tudo é muito real.

A mulher do quarto ao lado da minha mãe é uma esquilinha.
As peladas são aquelas que tiram a roupa sempre que possível. É essa gente que as enfermeiras vestem com um troço que parece combinação de camisa e calça, mas que na verdade é um macacão. A camisa é costurada na calça….
Esquilinha é quem mastiga a comida e esquece o que se faz depois. Esquece como se engole. Ao invés de engolir, ela cospe tudo que come no bolso do vestido. Ou na bolsa. Não é tão fofo quanto o nome faz parecer.

A Eva chegou aqui assim: a pessoa leva os pais idosos até um lugar público e o deixa para trás sem identificação….

Bom, acho que eu já falei demais.

É um baita livro bom. Cheio de personagens incrivelmente absurdos. Cheia de sacadas sagazes sobre o comportamento humano. Uma história que parece que não vai pra lugar nenhum, mas te surpreende com uma reviravolta espetacular. Recomendo muito, exceto se você não gostar de ler sobre sexo, nesse caso não leia.

Se você não gosta de ler sobre sexo, pessoas escrotas, situações bad vibes e narrativa não-linear, não leia esse livro.
Se você não se importa com essas coisas. Leia que é um livro excelente.

Eu penso que, se Eva nos meteu nessa, eu consigo nos tirar – falou a Mamãe.- Deus gosta de proatividade.

Então é isso. Se você já leu esse livro, deixe seu comentário dizendo o que achou.
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Um abraço.
E tchal.






Vulto

Desprezível.

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