Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de falar de cinema nacional e eu quero falar de A Hora da Estrela, o filme que adapta o livro de mesmo nome da Clarice Lispector. Então vamos nessa.

A Hora da Estrela é um filme de 1985, que foi restaurado recentemente e agora está na Netflix. O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome da Clarice Lispector, que eu não li, então vou comentar o que eu achei como filme, uma história fechada.
O filme conta a história de Macabéa, uma menina nordestina que vive em São Paulo. Ela não teve pai nem mãe, foi uma tia a criou. Agora ela tem um emprego como datilógrafa em uma firma que paga pouco, mas ela também não é muito boa, e vive numa pensão de moças num quarto paupérrimo com mais três outras mulheres.
Macabéa não tem ambições e não sabe quase nada da vida. Mas conversando com sua colega de trabalho, Glória, ela começa a sonhar com ter um namorado. Mas ela não faz ideia de como conseguir isso. Mesmo assim, ela conhece Olímpico, um metalúrgico e eles começam a ter um relacionamento um tanto complicado.
Enquanto isso, Glória está tendo as crises existenciais dela e vai até uma cartomante (que é a Fernanda Montenegro). A Cartomante diz o que ela precisa fazer para resolver suas dores, mas isso envolve Macabéa e Olímpico também.

E eu não vou contar como acaba, mesmo sendo um filme mais velho do que eu.
O que eu achei de A Hora da Estrela?
Que história interessante. A Macabéa é uma personagem fantástica, não pelos seus grandes feitos, que não tem, mas sim pelas dificuldades. Essa história, que é uma grande tragédia, fala muito mais sobre como o mundo pode ser muito cruel com pessoas simples, pessoas que não tiveram uma educação mais fortalecida e mais empoderadora.
Macabéa é uma coitada, sem instrução, sem dinheiro, sem amizades. As meninas do quarto a acolhem de alguma forma, mas com as limitações da vida difícil que elas também vivem. Olímpico é um fodido também, mas por ser homem, ainda consegue impor sua vontade de alguma forma. A Glória também não tem nada, mas consegue sobreviver e se valorizar pela beleza, mas também sabe que não tem nada e sofre quando começa a achar que a idade está chegando mais forte.
Então, na prática, é uma história de gente fodida tentando sobreviver num mundo que não dá nenhum tipo de suporte. Você tem o que a sua criação te deixou e nada mais. Se vire com isso.
A melhor coisa desse filme são os diálogos. Os papos das mulheres na pensão e as conversas da Macabéa com a Glória são boas demais. Da Macabéa com o Olímpico, são insanas as conversas, porque os dois são muito ruins de papo, então são duas toupeiras falando nada com nada, sério, mas tem o gosto de uma comédia, de tão absurdo que é.
O fim é uma piração e você pode interpretar de várias formas. Acho que no livro é mais claro. Porém, de qualquer forma é trágico.

Então é isso. Delícia de filme. Está na Netflix.
Assista e valorize esse belo trabalho de restauração.
Mas e você, já leu o livro? Viu esse filme?
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Um abraço.
E tchau.
