Gêmeas no paraíso – ou duas crianças deprimidas no fim do mundo – curta de animação

Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de falar de curta metragem e eu trouxe um curta desgraçado das ideias. Se as vezes eu trago coisas fofinhas e daora, esse curta é para te deixar na badvibe. Então vamos logo com isso, porque tem muita coisa para falar sobre Gêmeas no Paraíso.

Gêmeas no paraíso

Gêmeas no Paraíso conta a história de duas irmãs, gêmeas que jogam tênis. Elas são bem famozinhas, mas são novas demais para lidar com isso tudo. Uma dela, claramente deprimida, faz terapia e começa a ser fortemente medicada para não ter sentimentos ruins, o que a coloca em um mundo de fantasia. A outra parece um tanto mais ajustada, mas começa a ficar sobrecarregada também. Então ela tem seu anjinho (que parece muito com sua mãe) e um diabinho dando ideias para ela. E aí a coisa começa a ficar muito maluca.

O curta tem a opção de legenda em inglês.

Assista ao Gêmeas no Paraíso:

Esse curta é fantástico e desgraçado da cabeça. Além do drama das meninas deprimidas porque a pressão do esporte e da vida sem uma mãe já serem terríveis demais, ainda vemos que o mundo todo está doente. Fala-se de suicídio, pecados e explosões nucleares por todo o curta. Quando a menina está no hospital está passando na tv um vídeo de um cara falando que vão jogar uma bomba nuclear no próprio país porque é o que Deus quer.

Enquanto isso, temos a morte da esperança de uma raiva sem fim da outra das irmãs. Ela se dopa também e vai enfrentar o próprio demônio no mundo dos sonhos. E o demônio dela é a própria irmã, que mata a esperança (na figura da mãe) e rouba todas as atenções para si. Para uma criança (e para alguns adultos também), a irmã doente é alguém que rouba as atenções. E alguém que atenta contra a própria vida é alguém egoísta que não pensa nos outros.

Fechando a tragédia com chave de desgraça:

Mas para mim, o que fecha com chave de desgraça esse curta é a cena das fotos, quando as famosas gêmeas novinhas do tênis são fotografadas sensualmente. Isso corrobora minha hipótese sobre como esse curta quer mostrar que o mundo está doente. Está tão doente que vai cometer suicídio também, se explodindo em pedaços com bombas nucleares.

Então, além da futilidade óbvia de tentar viver num mundo que está prestes a explodir, tem ainda uma segunda discussão: faz sentido tentar ser são em um mundo que enlouqueceu? Dá para julgar alguém por estar brutalmente deprimido ou completamente enfurecido num mundo à beira do colapso? É loucura ser bem ajustado a um mundo insano.

E digo mais, se eu soubesse que o mundo ia acabar, eu ia me drogar sim. Viveria meus últimos minutos no paraíso, jogando com o anjo e o demônio. É isso. Viva as drogas e a morte da consciência. Se ser são é achar normal que propagandas de esporte pareçam pornografia infantil, podem me chamar de maluco.

Então é isso. Curta foda. Adorei.
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Um abraço.
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