Salve Rosa – resenha

Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de resenha e eu quero falar de um filme brasileiro bem interessante. Então vamos nessa com Salve Rosa.

Salve Rosa - filme nacional sobre abuso de sub celebridades pelos pais que cuidam de todos os aspectos da vida dos filhos - resenha

Salve Rosa é um filme brasileiro, meio que inspirado em algumas histórias reais, mas com algumas misturas e alterações. O filme conta a história de Rosa, uma youtuber mirim de 13 anos. Ela se muda para um condomínio de luxo com a mãe, que é professora e cuida da carreira dela. Daí no filme vemos a nova vida dessa menina que começa a ser adolescente, mas ainda tem que ser muito criança para seu público. Ela faz uma amiguinha. A mãe começa a pegar o pai dessa amiga, que é casado. Ela também tem uma vida sexual secreta, porque ela sai a noite para pegar uns caras na baladinha.

Daí a gente vê que a mãe da Rosa sempre dá um leitinho quente com algum remédio para ela dormir a noite toda. E ela também dá uma injeção de alguma coisa nela. Um dia ela desmaia na escola. E eu estou percebendo que esse post vai precisar de spoilers para falar desse filme.

SPOILER!

Depois de desmaiar, fazer exame de sangue e encontrar uma amiga das antigas, ela descobre que na verdade ela tem mais que 13 anos, ela deve ter 16 ou 17 (não lembro). Na verdade a mãe dela dá remédios para atrasar o amadurecimento dela e ainda fez alguns aniversários repetidos para confundi-la quando ela era criança.

Ela desafia a mãe. A mãe prende ela e a força a continuar fazendo vídeos. A mãe conta que ela foi para a casa do pai, muda o cenário e a menina tem que fazer vídeo fingindo que está tudo bem para poder ganhar comida. Ela vira uma escrava da mãe.

A amiguinha nova e a antiga começam a duvidar dessa história e tentam investigar. No fim elas descobrem e rola um protesto para salvar a menina. No fim a mãe foge com dinheiro e grávida do carinha. Encontram a Rosa em cativeiro, resgatam ela, mas ela morre. E a mãe vai viver em outro lugar e ela vai ter outra filha (ou filho) para explorar.

O filme é esse.

O que eu achei de Salve Rosa?

O filme é divertidinho e prende de alguma forma. Talvez me prenda mais porque eu já li à respeito de casos um tanto parecidos que provavelmente foram a base do filme. As atrizes estão bem no filme, até porque você quase esquece que são adultas fazendo crianças. No caso da Rosa, fazendo uma adolescente que acha que é criança.

A Karine Teles, que faz a mãe da Rosa, carrega o filme nas costas, porque é uma baita atriz, fazendo bem aquela mãe passivo agressiva que manda, mas te deixa pensar que você está escolhendo alguma coisa. É uma personagem bem interessante

Estética que engana:

Sobre a estética: o filme tem um tom, uma paleta de cores que remete a um filme completamente infantil. É tudo muito limpo, muito colorido, quase bobo demais. Daria para ser um filme dos Detetives do Prédio Azul, ou de Carrossel sem problemas. Com exceção das cenas de sexo da mãe.

Tem gente que acha que isso não conversa com o filme e eu acho que esse é o grande trunfo. De fato, se o filme terminasse com a Rosa salva, abraçando a amiga e as duas saltitando juntas, eu acharia que é um filme que não se decide entre ser infantil e adulto e isso seria um ponto negativo. Mas não é isso que acontece. Porque a Rosa morre no final. Morre de fome (ou outras coisas causadas pela desnutrição, mas dá na mesma) que é um morte horrível.

Então eu interpretei (e posso estar errado, tudo bem) que o filme tem uma estética infantil que esconde uma tragédia. Assim como o canal da Rosa, que tem estética infantil e esconde uma tragédia. Assim como o próprio corpo da Rosa, que tem uma estética infantil que esconde uma tragédia. Me parece que é proposital e para mim funcionou.

Sexo:

Tem uma coisa que tem incomodado em algumas produções brasileiras e eu preciso comentar aqui de novo. Algumas obras mais adultas e mais moderninhas têm colocado personagens bi, personagens com fetiches, personagens que saem e transam mesmo. E isso é ótimo. Mas o problema é que são só os vilões. Gente ruim faz essas coisas. Mesmo que não seja dito com todas as letras, sempre fica numa estética da perversão. E isso tem me incomodado um pouco.

O exemplo maior disso foi Beleza Fatal. Tinha Bi, BDSM, relacionamento aberto, balada maluca, mas são só os vilões. Inclusive misturam uma balada liberal com abuso sexual de um jeito muito mal-acabado. E enquanto isso, os protagonistas são casais muito bem formados, sexinho papai e mamãe, tudo como manda as leis do cidadão de bem. Só falta tocar música do Fábio Júnior.

Isso me incomoda um pouco nesse filme. Gosto do fato de que a mãe da Rosa é transuda. Mas está associado ao fato dela ser maluca por controle e maquiavélica e drogar a filha para poder curtir uma baladinha. Isso é ruim, por falta de ter isso bem representado.

Enfim. É uma discussão a se estender.

Mas no geral eu gostei de Salve Rosa.

Então é isso. Filme interessante. Gostei.
Mas e você, o que acha?
Deixe sua opinião aqui na área de comentários.
Curta a fanpage, siga no threads e no instagram.
Compartilhe esse post.
Um abraço.
E tchau.

Deixe uma resposta