Salve, salve, seres humanos da terra.
Hoje é dia de falar de literatura e eu quero falar do livro mais recente de um autor que vem se destacando muito. Então vamos nessa com De onde eles vêm, do Jeferson Tenório.

De onde eles vêm:
De onde eles vêm é um livro de 2024 e conta a história de Joaquim, um jovem preto, pobre e periférico que entra para a faculdade através da política de cotas. Ele entra para o curso de letras e tem o sonho de ser escritor, mas se sente deslocado na universidade, sentindo que aquele mundo não é para ele. Enquanto ele passa pelas frustrações comuns da vida universitária, ele ainda tem que lidar com a distância, a falta de dinheiro, uma avó com Alzheimer que está cada vez pior, além do racismo do mundo.
Então nesse livro acompanhamos a dura vida desse jovem escritor tentando sobreviver à universidade. Acompanhamos seus amores, suas desilusões e principalmente suas dúvidas. Ele precisa de trabalho, enquanto é confrontado com a vida abastada e distante de seus colegas de curso. A grande sensação que o livro passa é a sensação de se sentir deslocado, sensação que eu conheço muito bem. Não fui cotista, mas era, de longe, o mais pobre de quase todas as minhas turmas na universidade.
O drama se intensifica enquanto a vó piora de saúde e os relacionamentos não dão certo. Então Joaquim é convidado a confrontar a realidade (uma realidade possível, mas que tenta se apresentar como única possível), de que ele não vai conseguir. Ele vai ter que trancar a faculdade para trabalhar e provavelmente vai morrer tão pobre quanto nasceu. Eis que surge uma luta depressiva e silenciosa de um homem tentando não deixar que seus sonhos sejam mortos em definitivo. Mas daí vem o final, que eu não vou contar. Você vai ter que ler.
O que eu achei de De onde eles vêm?
Eu gosto muito dos trabalhos do Jeferson Tenório. Ele consegue falar de situações que parecem bem comuns e cotidianas, mas de forma que elas constroem a visão complexa e multifacetada dos personagens. Aos poucos vamos sabendo quem eles são, mesmo que para isso não aconteça nenhum evento extremamente marcante. Vemos aos poucos essas construções toda vez que o narrador exita. Toda vez que ele deseja falar algo ou se impo, mas não consegue. Infelizmente o sofrimento do homem ainda é um sofrimento muito calado.
Nós homens, em especial pretos, em especial pobres, crescemos aprendendo que a melhor coisa que podemos fazer é não causar problemas. Nunca reclamar. Nunca chorar. O nosso sofrimento é muito silencioso e muitas vezes termina no suicídio. A narrativa de Joaquim revela isso, não pelo que ele fala. Mas pelo que ele guarda para si, mas nos conta. Somos observadores de luxo de um sofrimento melancólico (e de algumas felicidades também) escondido.
Enfim. Baita livro. Adorei.
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Um abraço.
E tchau.
