Lugar Nenhum, por Neil Gaiman – resenha

Salve, salve, seres humanos da terra e da terra de baixo.
Por mais incrível que pareça, esse site não tem o nome Lugar Nenhum por conta do livro do Neil Gaiman. Acontece que eu sou um burro e só fui saber que “Lugar Nenhum” era o nome de um livro muito depois de criar o site. Então é isso, finalmente eu tomei vergonha na cara e li o livro. Agora vou dar meu pitaco

 

Lugar Nenhum Neil Gaiman

 

Lugar Nenhum surge como uma série de tv, em 1996. A série é escrita pelo próprio Gaiman, mas ele não gostava de alguns rumos que a série tinha que tomar e decidiu mudar tudo quando o livro saísse. O livro é publicado em 2005.

Lugar Nenhum conta a história de Richard Mayhew, um londrino que, ao salvar uma garota chamada Door, escorre pelas bordas da realidade e acaba perdido na Londres de Baixo, uma cidade que existe junto com a Londres normal, mas é uma terra de esquecidos, mendigos, indigentes e esquecimento.

Nessa estranha cidade, Richard tenta sobreviver e retomar a sua vida, enquanto ajuda a jovem Door a vingar a morte de seus pais e tenta sobreviver às investidas do sr. Croup e do sr. Vandemar, dois exímios profissionais na arte da matança.

 

Richard escreveu em seu diário mental:
Querido diário,
Na última sexta-feira, eu tinha um emprego, uma noiva, uma casa e uma vida que fazia sentido (ou pelo menos tanto quanto é possível uma vida fazer sentido) até que encontrei uma garota ferida e sangrando na calçada e tentei dar uma de bom samaritano. Agora não tenho noiva, nem casa, nem emprego, e estou perambulando por um lugar centenas de metros abaixo das ruas de Londres, com uma expectativa de vida equivalente à de uma libélula suicida.

 

Por mais que muitos dos personagens tenham suas jornadas pessoais, Lugar Nenhum é, na verdade, uma história sobre a Londres de Baixo. A Londres de Baixo é essa cidade que existe em paralelo com a Londres comum. As pessoas que vivem nela são invisíveis para as pessoas da Londres de Cima, e têm toda uma política, mitologia, e leis próprias. A vida é difícil, suja, mas segue seu rumo.

Na Londres de Baixo, as regras sobre tempo e espaço de diluem e tudo vira uma enorme loucura. Pedaços esquecidos e abandonados de uma Londres Vitoriana se encontram lado a lado com as redes de esgoto da Londres moderna e outros pedaços de outras cidades esquecidas.

No mundo dos esquecidos, coisas esquecidas se tornam presentes. Dessa forma, a Londres de Baixo é um lugar de magia antiga, conflitos seculares e, por que não, anjos. Sim, tem um anjo na história.

 

– O que era aquilo?
Hunter o encarava sem emoção. Seu rosto mais parecia esculpido em madeira marrom.
– Acho que não tem nome. Essas criaturas vivem nos vãos. Eu avisei.
– Eu nunca… nunca tinha visto.
– Porque não fazia parte do Submundo […]




O que eu achei?

De uma forma geral, o Neil Gaiman é um puta escritor e é por isso que Lugar Nenhum é um bom livro. Todos os personagens são interessantes. A narrativa flui bem. O ritmo é bom. E a construção de mundo é maravilhosa e muito rica. O que é exatamente a mesma coisa que eu falo de todas as obras dele. É um livro muito bom.

A minha crítica a esse livro é que ele começa o texto parecendo que vai ser um livro com uma “crítica social foda”, mas perde um pouco a força nessa linha, e vira uma aventura de fantasia. Uma boa aventura de fantasia, é claro.

 

O abade balançou a cabeça. Não havia muito a dizer: ele apenas conduzia os buscantes até a porta. E aguardava uma ou duas horas, no corredor de acesso. Depois, voltava, removia do santuário os restos mortais do sujeito e o sepultava nas catacumbas. Às vezes, infelizmente, não os encontrava mortos, embora o que restava dificilmente pudesse ser chamado de vivo. E os Monges Negros cuidavam como podiam daqueles pobres coitados.

 

Explicando: A Londres de Baixo é o mundo dos mendigos, essa referência é clara. E o fato dessas pessoas serem invisíveis é a mesma crítica que é feita em Os Invisíveis e em Midnight Nation, por exemplo. Eu achei que a história ficaria mais nessa linha, mas já fiquei um pouco de cara quando você percebe que existem casas de nobreza no submundo, o que me parece estranho.

Mais para frente na história, quando Richard já está minimamente estabelecido na Londres de Baixo, têm partes inteiras na história, onde o formato da história poderia funcionar tanto em uma história de fantasia medieval, quanto em uma história de Sandman, por exemplo. A coisa da busca. A missão do patrono. Os reinos. O desafio dos Monges. O anjo. Várias dessas coisas podem ser abstraídas do grande contexto das coisas. Isso me incomoda um pouco. Bem pouquinho mesmo.

Reclamação à parte, Lugar Nenhum é um puta livro. O sr. Croup e o sr. Vandemar são os vilões mais legais que eu vejo em muito tempo. Curti muito esses caras.

 

Há quatro pontos bem simples que perimtem diferenciar os sr. Croup do sr. Vandemar: primeiro, o sr Vandemar é cinco palmos mais alto que o sr. Croup; segundo, o sr. Croup tem olhos cor de porcelana azul desgastada, enquanto os do sr. Vandemar são castanhos; terceiro, o sr. Vandemar usa na mão direita anéis confeccionados com crânio de quatro corvos, mas o sr. Croup não ostenta joias visíveis; quarto, o sr. Croup aprecia palavras, enquanto o sr. Vandemar está sempre com fome. E eles não se parecem nem um pouco um com o outro.

 

Em resumo é isso. Me enganou no começo, frustrou um pouco minhas expectativas, mas é um baita livro ainda assim. O Neil Gaiman é um escritor impecável e eu quero ler tudo e qualquer coisa que ele escreva.

Lugar Nenhum é um livro que eu recomendo, e se for comprar, compre pela Amazon e ajude o site a crescer.

 

Então é isso. Baita livro. Gostei muito de ter lido.
E você? Já leu? Ficou com vontade de ler?
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Um abraço.
E tchal.

Vulto

Desprezível.

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