Salve, salve, seres humanos da terra.
Ontem eu fiz a resenha da hq Flash de Dois Mundos, que é considerada a primeira história de multiverso da DC. Porém, um mês antes, tem uma história da Mulher Maravilha onde ela interage com outras versões de si mesma. Seria essa uma primeira história de multiverso injustiçada e esquecida? Ou será que não. Eu fui ler a revista para ver se era isso mesmo e vou resenhar essa história aqui agora. Então vamos nessa com Mulher Maravilha 124, Um Dia Impossível.
Background:
A Revista da Mulher Maravilha foram, durante muito tempo, um pouco apartadas do universo DC, porque os direitos dela eram do Marston, que fazia as coisas do jeito dele. Nos anos 60 ela já tinha ganhado alguma autonomia e já fazia parte da Liga da Justiça.
Como backup na revista da personagem começou a ter histórias da Diana quando adolescente, então tinha uma aventura da Mulher Maravilha e uma aventura da Wonder Girl (Moça Maravilha). A Wonder Girl fez sucesso e logo começaram a surgir aventuras da Bebê Maravilha (Wonder Tot).
A Rainha Hipólita, mãe da Mulher Maravilha também era uma personagem recorrente da época. E ela tinha arquivos da Infância da Diana. Então as histórias dela novinha eram a Rainha Hipólita revendo os “filmes”.
Daí temos a edição 124, em Agosto de !961. E a história é muito maluca.
Mulher Maravilha 124, Um Dia Impossível:

A história começa com a Mulher Maravilha (em sua identidade secreta de Diana Prince) e Steve Trevor investigando uma caverna. Na caverna, eles encontram uma pintura rupestre que mostra as 4 personagens (Mulher Maravilha, Moça Maravilha, Bebê Maravilha e Hipólita) laçando dinossauro que está atacando Homens das Cavernas. Obviamente essa pintura é um absurdo porque são 3 Dianas de épocas diferentes, além do fato de dinossauros e homens das cavernas não existirem na mesma época.

Diana pensa “Isso é impossível, mas aconteceu no clubhouse da Mulher Maravilha”.
Corta para a memória da Diana. A Mulher Maravilha está lendo as cartas dos leitores (já começa a ficar muito metaficção) que estão pedindo uma história das 4 personagens juntas.
Diana acha que é impossível, mas Hipólita diz que manja de photoshop e começa a editar fotos das personagens juntas. Então diz que elas começam a trabalhar em supervelocidade e fazem um filme. E aí a gente começa a ver essa aventuras que elas inventaram (em teoria), mas essa aventura vai alterar o passado, porque é o que vai aparecer na pintura rupestre na caverna. Sim, é uma maluquice, mas é como se o filme ganhasse vida, algo do tipo. Como se a Hipólita fosse a editora das histórias da Mulher Maravilha mesmo fazendo parte dessa mesma história.

E daí o resto que a gente vê é essa aventura inventada metanarrativa muito louca.
O Homem Múltiplo:
A história é basicamente as 4 personagens voando por aí, até que elas pegam uma explosão nuclear. Da explosão surge uma criatura em formato de míssil. Daí ele enfrenta cada uma das meninas. A Wonder Tot usa uma ostra gigante para capturar o míssil.
Depois o monstro vira uma criatura humanoide pegando fogo e a Moça Maravilha e seu namoradinho tritão o derrotam jogando metal nele até que o metal derreta e ele fique preso.
O monstro vira metal derretido, a rainha Hipólitia transforma ele em um bracelete. Mas o Bracelete começa a controlar a mente dela e ela faz um monte de besteira. Então ela decide se jogar num portal, mas as Três Mulheres Maravilha vão atrás dela e esse portal joga elas no passado (no passado do mundo real, lembrando que elas estavam em uma história editada). No passado temos homens das cavernas. O Homem Múltiplo vira um dinossauro, o que justifica a imagem na caverna.
Em dado momento o monstro cospe fogo numa corda, o que justifica a capa, da Mulher Maravilha andando numa corda bamba e equilibrando as outras três.

Concluindo:
Daí a Mulher Maravilha adulta laça o monstro e joga ele num raio, finalizando o bicho. Elas voltam para o presente. Corta para Diana e Hipólita terminando de editar o filme e uma delas ainda fala: “Espero que os leitores que pediram isso tenham ficado satisfeitos”. E por fim, temos um quadro na caverna para fechar mais esse parênteses de memórias de memórias.
Fim. História completamente maluca e realmente impossível. Me diverti mais pelo absurdo do que pela qualidade da história em si. Mas é isso que eu fui procurar, certo?
Mas e aí, essa história é o verdadeiro começo do multiverso DC, então?
Não, não dá para dizer isso. É um grande crossover de um personagem com versões de si mesmo, mas não é uma história de multiverso. É mais uma história de viagem no tempo, porque a Diana interage com versões de si mesma de outros tempos, não de universos paralelos. Hoje é dito que tudo nessa história acontece na Terra 124.1, mas a Mulher Maravilha do vídeo editado também é de lá.
Na verdade, nem é uma história de viagem no tempo, ela funciona muito mais como uma história de metaficção, porque tem toda a coisa das cartas dos leitores fazendo pedidos e tudo o mais.
Outra coisa que dá para dizer também é que essa história não é tão influente quando a do Flash. Lá foi um encontro entre um herói da Era de Prata com sua contraparte da Era de Ouro. Isso começa a ideia de que todos os heróis da Sociedade da Justiça estão lá naquele universo só esperando para reaparecerem, o que dá início aos crossovers e tudo o mais, como já expliquei no post lá do Flash. Até o modo de viajar vibrando ficou permanente.
Dá para dizer que essa história da Mulher Maravilha seria um começo do que seriam os Elseworlds (mundos paralelos com aventuras fechadas), mas só isso.
Então dá para dizer que o começo do Multiverso DC segue sendo Flash de Dois Mundos. Até que apareça alguma outra coisa.

Então é isso. Adorei fazer esse trabalho de pesquisa arqueológica do Multiverso.
Mas e você, já tinha ouvido falar dessa maluquice?
Deixe sua opinião aqui na área de comentários.
Curta a fanpage, siga no threads e no instagram.
Compartilhe esse post.
Um abraço.
E tchau.
